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Uma possível resenha de filme pornô
Texto em homenagem aos críticos de filmes cult, que insistem em resenhas de filmes que ninguém assiste e, conseqüentemente, ninguém lê. Se bem que, vamos combinar, tem que ter talento para se fazer resenha desse tipo de filme. E, como eu não tenho coeficiente cognitivo para tal... Bom final de semana e até segunda-feira. Por favor, domingo eu quero folga... Resenha sugerida por Wlívio Ricardo, da TV Mirante.
Resenha de filme pornô – a noiva infiel, Márcia Imperator
Este filme é duro, chocante, cruel. Duro por motivos óbvios e não queiram que eu explique mais do que isso. Chocante porque trata de uma realidade de muitos casais brasileiros, muito embora, ainda tenha a tenra ilusão de que seja apenas uma ficção e cruel também por motivos óbvios. Principalmente pelos diálogos, cerca de 80% deles, baseados em expressões monossilábicas.
Em comparação com outros filmes de sacanagem, Márcia Imperator consegue, sem dúvida, extrair uma atuação interessante (nota do autor: eu me nego a dizer que ela “atua”, acredito mais na tese da “extração teatral”... Isso é filme pornô, não é clássico de Pedro Almoldovar) dos outros atores. Ela mesmo é fenomenal ao ter orgasmos rústicos que deixariam o incrível Hulk morrendo de inveja.
De fato, esse é um detalhe das séries de Márcia Imperator: os orgasmos rústicos. Todos os atores e atrizes que contracenam com ela têm essa espécie de dom. Nesse sentido, aplausos para a direção que conseguiu transformar uma característica singular em algo grupal (a característica, não a sacanagem. Esta já é natural do filme).
Destaque também para a indumentária de Márcia. Em todos os filmes, inclusive Noiva Infiel, os trajes alugados de uma loja de roupas de classe de quinta categoria, cujo patrocínio aparece nos créditos e na etiqueta das roupas, que, coitadas, tem apenas cinco minutos de fama em um filme de duas horas, são um charme a parte. Fraques, vestidos de noiva, um luxo pouco visto em produções do gênero. De fato, a indústria da sacanagem evoluiu bastante nos últimos anos. Quem diria que os 50 zillhões de filmes de Scorpion, feitos em beira de piscinas, praias desertas ou na melhor das hipóteses nos motéis da vida, pudessem se transformar nessas super-produções.
Os diálogos... Bem, os diálogos... Atenho-me ao ponto de que o filme não apresenta erros de concordância grosseiros, ou frases sem intercalação ou ligação com as cenas. Todas as interjeições de baixo calão estão de acordo com o momento e o clímax momentâneo. Nenhum gemido é antecipado e as reações dos personagens acompanham os andamentos das cenas. Em suma, em Noiva Infiel, os produtores não pecaram do mal das propagandas de “1406”, Facas Guinsu, Grelhas Eletrônicas, entre outros produtos dos quais não me recordo no momento.
Em suma, Noiva Infiel é um filme para se ver com toda a família sem maiores sustos de ter uma velhinha da novela das oito dizendo que adora Côncavo e o Convexo. Pelo menos o roteiro todo mundo conhece, a interpretação é batida, as tomadas e as cenas idem... Não há surpresa... E o melhor: é menos erótico que as cenas da Ana Paula Arósio em Páginas da Vida.
Escrito por Wilson Lima às 21h17
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Tele-transporte
Existem situações das quais saem teses absolutamente inúteis (se bem que no fundo, o mundo acadêmico vive de algumas, lembrei-me agora de uma pesquisa sobre a disfunção erétil dos ratos e gostaria que algum cientista sério me esclarecesse qual o objetivo de um estudo dessa envergadura). E sem dúvida nenhuma, esses diálogos docemente desvairados surgem nos locais mais inusitados ainda, como ônibus, praças de igrejas, fila do banco ou fila de hospital, enfim. Agora, pior do que o local no qual se está estabelecendo o elo, só a situação.
Certa vez, eu e uma amiga, em um momento que deixaria Stanley Kubric com inveja, ao sairmos de uma maravilhosa aula inexistente sobre... (nota do autor: algo normal para uma UF, ou seja, Universidade Federal, e espero que no dia em que esse artigo seja publicado, algo um pouco distante, tipo uns vinte anos, numa edição póstuma, a cena melhore. Nota II: depois que li “Sexo na Cabeça” de Veríssimo, sempre quis fazer algo parecido. E consegui. Viva!!! Agradeço a todos: mamãe, o Papa e o Pernalonga. Obrigado!), estávamos em um ônibus, lotado, fedorento, Campus, enfrentando um belo engarrafamento, quando surgiu a brilhante inquietação: “como será o sistema de transporte nos próximos anos?”. Não lembro bem de onde a pergunta veio. Lembro apenas da resposta.
- Tele-transporte!!! - O quê? - Sim, Tele-transporte!! Imagine Wilson como seria prático.
Confesso que fiquei extasiado com aquele exercício de imaginação. E de fato, o tele-transporte facilitaria muito a nossa vida. Entretanto, assim como as soluções, os problemas contagiam a tira colo.
Problema número 1: fim das desculpas que envolvem tempo.
- Não fiz a lição de casa por causa do engarrafamento! - Benhê... Não comprei o seu presente do dia dos namorados porquê as lojas estavam fechadas! - Oh, Bebê... Não deu para lhe encontrar porque o carro quebrou. - O pneu furou... e outras.
Pensamento cortado...
- Puxa Wilson! Seria como nos filmes de Jornada nas Estrelas, você aperta um botão e plim..! Você está no seu destino! - Mas meu anjo, vamos aos poucos. Tudo bem, que o tele-transporte funcionaria via processo de organização e desorganização de moléculas, mas isso não seria a fase dois do tele-transporte? - Como assim? - Numa primeira fase, o tele-transporte funcionaria tipo cabinas parecidas com geladeiras. Elas seriam conectadas, através de linha telefônica, umas as outras assim como computadores na Internet fazendo uma rede de geladeiras (ou melhor, cabines). Em cada, haveria um teclado no qual você discaria e a partir do número você chegaria ao local desejado! - Wilson, e em cada geladeira teria uma espécie de capacete que você colocava e a partir daí aconteceria a desintegração molecular! - Boa...
Correto, boa idéia. Contanto não nos esqueçamos de um detalhe: estamos no Brasil. Em função disso, alguns probleminhas certamente irão aparecer. As principais: interferências ou linhas cruzadas. Já pensou eu discar para Brasília e parar em Fortaleza? Ou querer me tele-transportar para os EUA e no final das contas parar no Iraque? Como tele-transporte funcionaria via reintegração de moléculas, pode ser que em uma linha cruzada eu chegue ao meu destino como outra pessoa. Assim como eu poderia ser recomposto com partículas Gianechini (boa...), eu corro o risco de ser reintegrado com a lacraia (ruim...). Fora isso, para se recompor totalmente seria uma verdadeira dor de cabeça. Até hoje não conheço ninguém que encontrou o companheiro de linha cruzada. A não ser que a pessoa do outro lado da linha seja o seu marido ou sua mulher. Pior: não descartaria a possibilidade de ser assaltado ou seqüestrado durante a transmissão de minhas partículas. Mentalize: você surpreendido de cuecas no aparelho tele-transportador de sua namorada pela queridíssima sogra. - O que é isso! - Fui assaltado! - Cafajeste! - É sério...! - E essas marcas de batom no seu pescoço! - Partículas de outra viagem! Nunca as vi antes! - Safado!
Agora não vamos esquecer das tarifas cobradas pelas operadoras de telefonia. Assinatura ou outro sistema de cobrança?
- Olha! De acordo com o contrato você tem apenas uma viagem de ida para a Argentina! - Como? A assinatura não me garante a minha viagem de volta? - Sinto muito!
E talvez o grande problema: você compra um cartão para ir até Santos (local de origem São Paulo), usa um aparelho público de tele-transporte com defeito, daquele que gastam seus créditos mais do que o habitual, e você acaba terminando a sua aventura em Botucatu, ou São José dos Campos... Compra um outro cartão! Você me responde. E se eu retrucar: nosso personagem está sem dinheiro?
E na era do tele-transporte digital via celular ou relógio como essa amiga inicialmente sugeriu. Como seria?
Mais praticidade, obvio. Contudo, a tecnologia proporciona sérias consequências para o meio ao qual está inserida. O sistema, parecido com o que falamos acima, e com funcionamento similar, teria apenas uma diferença. No sistema celular, você poderia escolher qualquer local do mundo. Independente de estação receptora. Bastaria ao aparelho um mapa digital, e você indicaria o destino no próprio aparelho. Ou você poderia simplesmente digitar o endereço no relógio e/ou celular e num passo de mágica, estaria no local desejado.
As mudanças do meio ambiente seriam evidentes. Fim, ou modificação dos flagras na traição caseira, fim do atraso escolar e fim da corrida feminina contra a chuva por causa da chapinha recém feita. - Te peguei! - Meu amor, não é nada disso que você está pensando! - Como não, ele está aí na nossa cama! - Onde? - Ele estava aí! - Meu amor, acho que você está trabalhando demais! - Juro que ele estava aí! No armário, o amante ajusta o relógio tele-transportador para o mais longe dalí.
- Carlos! - Presente! - Elisângela! - Presente! - Herbácio! - Presente! - Juvenilson! Juvenilson! Acho que ele não veio! - Lucas! - Presente - Professor estou aqui! - Juvenilson, você não respondeu! - Mas estava aqui!
- Luciana, chuva! - Ah, não! Cristina vamos para a sua casa! - Mas Luciana, estou sem crédito! - Como assim? - Estou sem crédito, no seu celular-teletransportador não tem? - Não? - Olha uma barraca! - Graças a Deus! - Pensei que ia perder a minha chapinha! - Eu também. Sabia que esse celular ia me deixar na mão um dia!
Agora, sem duvida o maior contratempo do celular-teletransportador chama-se área de abrangência. - Vamos para o rio, paixão! - Poxa! Aqui em Porto Alegre tá tão legal. Olha mas vou ter que te avisar que o meu plano só permite viagens individuais! - Certo! Você vai no seu que eu vou no meu! - Tudo bem!
Dez minutos depois. - Bebê, você está aonde? - Floripa! - Mas o que aconteceu! - Esqueci que meu celular não vai para o Rio! - Porque? - Fora da área de serviço!
Chega ao final da viagem. Me separo dessa minha amiga e eu permaneço com aquelas idéias na cabeça. Chega meu local de desembarque. Paro e ligo para o celular dela. - Alô! - Oi meu anjo! - Saudades? - Muitas! - Sim, alguém morreu? - Não queria te dizer uma coisa! - Qual! - Nós somos psicopatas!!!
Escrito por Wilson Lima às 21h39
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Direção de filme pornográfico
Antes do susto um esclarecimento: não sou diretor, nem me candidato a ser diretor de filme pornô. Primeiro porque não tenho o menor talento para para tal; segundo, não tenho a fama necessária para assumir um cargo de tamanha envergadura. Deixemos isso para Alexandre Frota, Rita Cadilac, Vivi Fernandes, Mateus Carrielli, Grethen, entre outros...
Mas, em um dos papos frutíferos de redação (créditos para Márcio Henrique Sales, repórter de esporte de O Estado do Maranhão e Cezar Scanssette, da editoria de cidade), veio a questão: como será que um diretor pensa, em digamos, uma cena de filme de sacanagem...? No mínimo deve ser algo parecido com o que fazem alguns flanelinhas nos estacionamentos do Brasil.
- Sim, sim, sim... vai pra frente, pra trás, pra frente, dá uma ré... desfaz, desfaz, desfaz, desfaz, desfaz aí chefia.
Em horas de pouco ânimo... - Ei meu filho, levanta a moral aí...
No caso das meninas... - Filha fica no meio... - Filha, dá um saltinho... pra frente, pra trás, pra frente, pra trás, isso... Boa... Muito boa, gostosa... (peraí, vamos manter o nível do blog, pelo amor de Deus).
Isso é apenas o básico, agora fico imaginando como deve ser um papo prévio entre diretor e comandados. Detalhe: linguagem Kamasutrística, ou matemática... Sim, quem disse que ator de filme pornô não pensa...
- O seguinte: pra começar um "51" + "18". Depois um cachorro pequeno, dupla perna, canguru, duplo twist carpado e fecha com Cat Ball invertido... Alguma dúvida??
Enfim, por mais que digam o contrário, pornografia tem uma certa cultura. Diretores de filme de sacanagem, parabéns... Aguentar essa dureza diária, só vocês mesmo...
Escrito por Wilson Lima às 06h15
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Sobre desenhos e seriados...
Não sou tão velho quanto se pensa, mas ao observar um amigo meu vasculhando um site chamado intantv.com.br, percebi como o tempo passa rápido e, de certa forma, é implacável. Na página, o cara me diz que o dublador de Rock morreu há quase 10 anos; Cavaleiros do Zodíaco começou a ser exibido há 11, Jeannie é um gênio, passava há 20, Thundercats indem e o pior... eu me lembro de tudo isso.
Ao perceber como o tempo passa, você fica se perguntando o que deveria ter feito, o que poderia ser melhor e o que poderia ser melhorado?? Principalmente, no caso dos virginianos perfeccionistas como eu. Tudo bem, não posso me cobrar tanto, até porque, a minha vida só começa a ter rendimento financeiro e profissional a partir dos 18, mas de qualquer forma, ainda tenho a sensação que tenho poucas histórias para contar. Se bem que, por um lado, até que não é uma má idéia essa falta de recordações extraordinárias.
Mas é justamente a partir desse tipo de constatação que você começa a comparar a sua geração com a atual. Ou, usando uma linguagem fórmulaunística, a geração Schumacher com a geração Fernando Alonso. Lembro que quando era muleque, as brincadeiras construtivas eram andar de bicicleta e jogar pedras nos amigos. Algo de fato carinhoso. Hoje, a maior pedrada que uma criança pode dar na outra é uma "controlada" de Playstation 2, na cabeça do outro. Nada contra a Sony, mas a implementação dos video-games fez com que a criançada perdesse um pouco da inocência de outrora. Puts, outrora me lembra Genival Santos, lembram? Tudo bem, a minha discoteca ou cdteca tem dessas coisas. É brega, mas ainda tinha qualidade.
E de fato tinha: é só comparar. Será que Kelly Key seria censurada pela ditadura se cantasse "baba baby"? Acredito que não. Por isso que honro a poesia de Odair José com "Pare de tomar a pílula". Sim, pare de tomar a pílula foi censurada porque não icentivada a reprodução durante o regime. Se bem que, olhando por esse ponto, será que "lapada na rachada" iria ser censurada pelos militares? Sinceramente não sei. Mas o fato é que, infelizmente, o mundo tem morrido nos últimos anos. A infância morreu, os desenhos morreram e até a música brega não é mais a mesma. Pensando bem, acho melhor colocar a "padricinha para dançar"...
Escrito por Wilson Lima às 14h01
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Tudo bem, é brega, mas aderimos a moda...
Bem, vamos aos fatos. Blogar está fora de moda. Pelo menos deveria estar. Na semana passada, vi na Folha de São Paulo que blogs voltaram a ser a nova onda do momento. Sim, mas... que onda? Puts, logo agora, em tempos de you tube, as pessoas estão se voltando para os blogs? Que coisa estranha... Tudo bem, acredito que seja apenas um momento "Chuck Norris", dentre tantos momentos "Ratinhos" que a humanidade costuma viver. Mas... como eu sempre digo... Enfim...
Escrito por Wilson Lima às 17h24
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